Atropelei o Calimero

As Rotundas

quinta-feira, 28 de julho de 2011 by ocondutor | 2 comentários

- Bom dia Sr. taxista! Peço desculpa por ter estragado o seu plano de arrancar do lado direito querendo atravessar as faixas em direcção à esquerda para sair apenas na terceira saída. E logo eu que queria sair antes de si... Ainda por cima teve de accionar o cláxon por causa da minha estupidez.
- O quê? Sim, sim... Sou um idiota por ainda me lembrar daquela aula de código em que me disseram - e li eu no livro de instrução - que as rotundas se devem fazer pelo meio, saindo apenas no momento em que queremos seguir para a saída correspondente.
- Oh, claro. Tem o Sr. toda a razão... Há que arrancar esticando a primeira mudança e ganhar logo velocidade, se possível escondermo-nos no chamado ângulo morto, para deixar o tipo amador absolutamente confundido e à rasca com a nossa destreza de profissionais.
- Vossa excelência é um profissional, pagou mais caro pela sua carta e, nesse sentido, perdoe-me - imploro-lhe - por andar aqui a usar o mesmo espaço quando claramente o senhor tem direitos superiores e de preferência na disputa por um lugar na faixa de rodagem.
- Vou sim senhor à badamerda. Faça o favor de ter um bom dia e desculpe lá o aborrecimento...

Pobres taxistas, já não lhes bastava terem de conduzir carros com cor de coisa nenhuma, e ainda têm de ter gente, como eu, a estragar-lhes o único lugar onde claramente são reis, donos e senhores... O único lugar onde são verdadeiramente livres e se livram de cumprir regras/ordens. Lá em casa é o que se sabe, depois há os patrões e o Governo... Se ao menos o Benfica fosse sempre Campeão.

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Covermero: Amy Winehouse - It's My Party

terça-feira, 26 de julho de 2011 by ocondutor | 0 comentários

Alma, muito alma... que se traduz em estilo, muito estilo... O inconfundível estilo que parece casar na perfeição com aquela voz, a ponto de, negligentemente, teimarmos em falar apenas do produto das cordas vocais. Unique, she was.

"It's My Party" é daqueles temas que tem mais versões do que os dedos da mão conseguem contar, mas este é diferente e especial. Os motivos são evidentes, só pela audição. Voz fora do compasso, acelerações e pausas... Juro que me parece que há ali uma pastilha elástica na boca, juro que consigo ver a cara com a expressão: what the fuck do I care (ainda por cima é o que a música pede). Frágil na vida e a falar com o público no intervalo das músicas, basta começar a cantar e a leoa revela-se.


A música deve ter sido gravada nos finais de 2008 ou inícios de 2009 para o último disco de Quincy Jones que revisita sucessos escritos e produzidos por si, este é um deles. A este propósito encontrei a história de como conseguiu ter Amy neste disco.
«The new version was "one of the last songs" to make the new album, according to Jones. "We were doing a concert for Mandela's 90th birthday two years ago in London," Jones recalls of the genesis of the collaboration on the new version. "I was backstage and a man came over and said, 'would you mind meeting my daughter?' No problem. I had no idea who it was. She got on her knees and she kissed my hand and she says, 'I've known your music ever since you were  my age, 24 years old, when you did 'The Swinging Miss D' with Dinah Washington.'I was absolutely shocked. It was Amy Winehouse!

"I had no idea that she was that astute; she was amazing. Reminded me of Naomi a little bit, my baby. Sweet as she could be. I told her, 'why are you treating your life like this?' I've got six daughters so I can't help but being Poppy. We bonded. Everybody back here said, 'there's no way you'll get Amy Winehouse on this record.' And we just let it go. Amy did it herself. At first she was going to do 'You Don't Own Me.' Then she changed her mind and wanted to do 'It's My Party,' which I did with Leslie Gore in 1963. That was a long time ago. Stuff just happened and I'm glad it happened to me. [laughs] It touched me very much."»


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Amy is on the final Rehab

domingo, 24 de julho de 2011 by ocondutor | 0 comentários

Quando há 3 anos escrevi isto estava longe de imaginar que seria a última e única oportunidade para ver Miss Amy Winehouse ao vivo em terras lusas. Já na altura ficou no ar a debilidade duma voz que há não muito tempo deixava meio mundo de ouvido atento e boca aberta com o poder e a honestidade que conseguia pôr nas suas canções. Infelizmente - para a saúde da pessoa -, a fonte de inspiração foi também a fonte da perdição. É assim o jogo da vida: às vezes o que nos faz muito bons é aquilo que nos mata.

A agonia e a chacota dos últimos anos darão agora lugar ao lamento dos fãs e admiradores, muitos com certeza. Neles me incluo. Foi-se a frágil figura, fica-nos a voz/música poderosa. You were very good and no good at the same time.



música
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Os Dramas da Vida Doméstica

quinta-feira, 21 de julho de 2011 by ocondutor | 2 comentários
ping... ping... ping... | imagem: daqui
É preciso ter uma torneira a verter mais água por minuto que o chafariz da Alameda para um tipo perceber a quantidade de vezes que abre a torneira por dia e a quantidade de água que esbanja - somos uns animais. No meu esforço atroz, de não deixar a coisa a correr, vou fechando o passador geral e, de cada vez que preciso de água, tenho de o ir abrir. Pois que tomar banho é um drama, pois que lavar roupa é impossível. E tudo porque a porcaria da torneira que tenho em casa não permite reparações e para grande descontentamento meu, vou ter de comprar uma nova. Mas isto hoje acaba... Ai acaba, acaba... Já tirei o fato de macaco do baú e preparei o boné de canalizador, mas pelo sim pelo não levo o número dos bombeiros. Vai ser espectacular.

Agora vocês viram-se para mim, na atitude que eu teria no vosso lugar e dizem: mas que raio é que isso nos interessa?

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Covermero: John Legend - Rolling In the Deep

terça-feira, 19 de julho de 2011 by ocondutor | 0 comentários

O rapaz já era conhecido por aquela balada digna de conseguir sozinha engatar a mais fugidia das raparigas, aquela do "Ordinary People" e que até o menos talentoso dos sedutores consegue - colocando-a na sua compilação especial para os regressos a casa depois do cinema - ter sorte com a top model que só o usa para desabafar sobre o namorado feio, porco e mau que lhe põe os cornos...

Entretanto, e se vasculharem essa internet, são pessoas para chegar à conclusão que podia, com sucesso, dedicar-se a fazer só versões. Então a que se segue com o tema que deixou milhares a partilhar e falar da Adele, "O Rolling In the Deep", nem se fala… 

John Legend - Rolling in the Deep (Adele Cover) by johnlegend

Atenção: fala-se apenas da versão acapella, não confundam com a versão com instrumentos que, neste caso, só desviam a atenção das vozes.

música
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Vacina contra a falta de ânimo

domingo, 17 de julho de 2011 by ocondutor | 0 comentários

Com bandas destas é impossível ficar quieto, não levantar pó, não mandar as tristezas às urtigas, não andar aos saltos pela casa, é dançar até cair. What did you expect? It's The Vaccines everyone.

música
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The Girlfriend Experience, finalmente na tugalândia

sexta-feira, 15 de julho de 2011 by ocondutor | 0 comentários
"Confissões de Uma Namorada de Serviço" - a sério? Isto é um título que se apresente...? Meus amigos, meus amigos... essa criatividade. Enfim, adiante. Esta é apenas uma desculpa para: 
  1. chamar a atenção para este post que aqui deixei há já dois anos com as minhas impressões sobre The Girlfriend Experience e sobre o trabalho da sua protagonista;
  2. recomendar a visualização da fita que estreia atrasada - aleluia - e que ficou famosa pelo convite de Steven Soderbergh a miss Sasha Grey, mais conhecida por outras fitas menos acessíveis em multiplexes, para se deixar de cenas explicitas e interpretar o mesmo papel, mas no cinema dito de sério. 
Leiam aqui e vejam por aí, na sala mais próxima. Não se arrependem porque é um filme cheio de curvas, prometo.

cine
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Parlovr

quarta-feira, 13 de julho de 2011 by ocondutor | 0 comentários

Percebi neste exacto momento - à medida que o meu leitor de música debita decibéis de som nos ouvidos - que ainda não tinha feito o obséquio de dedicar meia dúzia de linhas aos Parlovr, uma banda canadiana de nome difícil de dizer- diz-se Parlor-, mas muito mais fácil de decorar. Como é possível? É o horror, a burrice, o cúmulo do deixa andar... Ao contrário dos amigos Arcade Fire de quem falei há pouco e da capa do disco (em cima), estes são apenas três, o que ninguém diria pela explosão de som que nos chega a cada audição. Dizem eles que fazem uma coisa chamada "Sloppy Pop", uma designação como outra qualquer.


Cada vez mais estou convencido de que há países de onde só aparecem boas bandas e boa música. Estou apostado em sustentar a tese de que são coisas que metem na água que se bebe por lá, ou então, é só o efeito de já recebermos tudo devidamente filtrado de impurezas sonoras. De qualquer das formas, há países de onde, depois da erupção de uma banda - muitas logo ao primeiro disco - parece que as outras se entusiasmam ou é só a força da indústria a falar. Como era bom que, em breve, fossem outros sítios, noutras línguas, a falar assim de Portugal.

música
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Scenes From The Suburbs

by ocondutor | 0 comentários

Tendo eu perdido por completo o timing para destacar a estreia na internet da tão falada curta que os Arcade Fire fizeram em redor do universo dos último disco, aproveito agora o regresso dos amigos de Montreal a terra lusas para o fazer.

Pois que tive a sorte de conseguir ver o filme e posso-vos dizer que vale bem a pena ou não tivesse o colectivo conseguido a colaboração de Spike Jonze na escrita do guião e realização. Mas se estão à espera que isto vos explique por completo os quês e porquês de The Suburbs é melhor baixarem as expectativas, o universo está lá, as músicas ajudam, mas propositadamente é algo diferente. A ideia é que disco e filme se complementem, ora parecendo que é o filme a explicar o disco e depois que é preciso ouvir o disco para perceber certas coisas do filme. Durante 28 minutos vamos assistindo às desventuras dum grupo de adolescentes, o que os rodeia, as brincadeiras, as descobertas, as coisas más... Tudo narrado por Win Butler.

O filme podia ser visto aqui, parece que já não é, mas vão por mim que o encontram sem dramas naqueles sítios de que não convém falar, mas que todos usam. Eu encontrei.

cine, net
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Sangue fresco - 4ª season

segunda-feira, 11 de julho de 2011 by ocondutor | 1 comentários

Se forem como eu, a esta altura já renovaram o stock de garrafas de True Blood - o sangue 100% sintético - que as criaturas de aspecto humano e dentes afiados dizem beber, mas não bebem. Se forem como eu, já limparam o pó aos caixões que têm guardados na cave e limparam as teias de aranha acumuladas nas escadas. Se forem como eu, já renovaram as autorizações para que as criaturas que não aparecem nos espelhos vos visitem sem rodeios. Se forem como eu, já estão a acompanhar a 4ª temporada de True Blood que anda a passar nos ecrãs da HBO, sempre aos Domingos à noite, vai para duas semanas.

Se não forem como eu, e ainda não deram pelo regresso dos vampiros mais sexuados de que há memória, procurem que eles andam por aí nos sítios do costume - só não prometo que tenham o mesmo ar normal manifestado na foto em cima...

séries
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O fim do mundo é Domingo

terça-feira, 5 de julho de 2011 by ocondutor | 0 comentários

Alerta. Alerta. O armagedão é Domingo no Pavilhão Atlântico e não vejo ninguém que faça nada para o impedir, antes pelo contrário há até quem faça questão de assistir a tudo na primeira fila. Desmarquem todos os compromissos, despeçam-se dos amigos e da família, esvaziem a conta bancária, ignorem o défice, o cataclismo está agendado. Temo bem que, desta vez, não haja Bruce Willis e Ben Affleck que nos salvem...

Sempre tive para mim que o Kenny G era a coisa mais ignóbil à face da terra - a maior sanguessuga produzida pela mãe natureza - isto porque tinha a desfaçatez (pouca vergonha mesmo) de tocar as vis cantilenas do Michael Bolton em saxofone (como se um desastre nunca pudesse vir só). Foi disto que Nostradamus nos alertou há séculos atrás, a junção destas duas criaturas vai abrir um vortex engolindo todo o planeta, Via Láctea e Universo que confluirão para o interior do Pavilhão Atlântico. Eu vou fugir de Lisboa, mas não me vai adiantar de nada...

bizarrices
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Hoje podia...

segunda-feira, 4 de julho de 2011 by ocondutor | 1 comentários

...se quisesse atropelar uns 40 velhos, 10 pessoas de meia idade e uma tipa distraída com um saco do hipermercado na mão. Tivesse eu o espírito assassino e bastava não travar, manter o acelerador a fundo, ou não desviar o volante de forma ágil para o lado esquerdo e já estava... Se querem saber, exigiu mais esforço à minha pessoa evitar o atropelamento espectacular de concidadãos do que dar-lhes cabo da saúde e impedi-los, para sempre, de caminhar pelo próprio pé.

A alegria aventureira dos meus concidadãos que atravessam a estrada fora das passadeiras, os cruzamentos em diagonal e os semáforos vermelhos em câmara lenta apoiados numa bengala merecia ser premiada com um voo de nota artística espectacular, mas como gosto de contrariar os intentos dos outros, faço de propósito e deixo-os a gritar impropérios contra mim porque tenho a desfaçatez de andar de carro na estrada.

vida
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