Atropelei o Calimero


Passatempo / Ofertas / Ganha / Presentes

Sexta-feira, 30 de Março de 2012 by ocondutor | 1 comentários
aqui pra vocês | imagem: furtada aqui

Agora que captei a vossa atenção - porque tudo isto não passa duma manobra para os motores de busca me encontrarem -, gostaria de dizer que é tudo mentira. Lamento; a vida é injusta, faz-me ter pena de vocês, mas foram enganados/as. Isto é um embuste, vamos todos para casa... Este poiso não é desses - não que haja mal algum nesses poisos que oferecem - mas, este não é assim. Exceptuando a estupidez do tipo que está agorinha mesmo a carregar nas letras que vão aparecendo, este oferece-se apenas a si próprio. É pouco e é para quem quer!

Pergunto: e se fosse? Qual seria o tipo de produto/benesse/experiência mais indicada para entregar de mão beijada a vocês meus leitores e leitoras? [Gosto genuinamente de pensar que são no plural e de ambos os sexos]

- umas nails? Não. Isso seria descabido, dada a minha ignorância sobre o significado e a importância dessas rodelas em silicone para colar com super cola nas extremidades dos dedos...
- já sei, uns vernizes? Pois... Não. E pelos mesmos motivos...
- uma ida a um salão daqueles com espelhos e senhoras de meia idade vestidas como se fossem modelos a caminho do desfile, mas com cabelos idiotas enquanto prometem fazer o oposto aos coitados (este também dava para os homens) que aparecem para se sentar nos cadeirões? Porra, basta a descrição para se perceber que nada feito...
- uma daquelas tretas das makeovers terminando com um daqueles momentos em que uma gaja vem e oferece umas farpelas supostamente magnificamente bem escolhidas (mais nenhuma outra gaja se iria lembrar escolher aquele mesmo pedaço de tecido para vestir àquela mesma tipa/tipo, genial...) e, com isso, transformam para sempre o aspecto/bem-estar/confiança/auto-estima/eu sei lá mais o quê daquela pessoa? Hummm... wrong idea.
- um fim-de-semana a dois naquele moinho perdido que foi agorinha mesmo transformado em local paradisíaco para as coisas do amor? Era bom, era... Também eu queria...
- agora é que é, um voucher de desconto de 50% para compras acima de 100€ em restos de roupas da colecção passada da... ora deixa cá ver... da... mas será que eu não conheço nenhuma loja de roupa? 
- um par de cuecas abanderadas? Na... Não conheço ninguém ligado a marcas.
- um cupão para usar na rulote de cachorros em frente da estação de Santa Apolónia. É isso, boa. Já sabem, a haver passatempo é isso que ganham.

bizarrices, net
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não sei o que certas 'essoas têm contra a música em francês

Quarta-feira, 28 de Março de 2012 by ocondutor | 0 comentários

Mad Men ep. 1 e 2 amc.tv

Jessica Paré a fazer de conta que é a menina Gillian Hills e que estamos em 1962. Digam lá que depois disto não merece a menina um grande Zou Bisou Bisou molhado...? Eu dava.

música, séries
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Mad Men returns

Domingo, 25 de Março de 2012 by ocondutor | 0 comentários
yes, it's me Don... ready, set go... I'm back | imagem: amc.tv

Depois de um ano e meio a seco - o último episódio passou nos states em Outubro de 2010 -, eis que temos de volta a malta de Madison Avenue e logo com um episódio especial de duas horas. Pena que, para os pobres europeus e restante rapaziada, só amanhã (e por forma alternativas) seja possível devorar o tão aguardado regresso. É nestes alturas que um tipo lamenta o facto de não estar a viver nos Estados Unidos...

Vendo a coisa pelo lado mais positivo, vai dar tempo para comprar as 400 cigarradas das boas, as 1750 caixas de whisky ou bebida alcoólica semelhante e os copos especiais necessários para assistir condignamente ao regresso do gentleman Don Draper e restante trupe. 

E se pensam que sou só eu que estou a exagerar no entusiasmo pelo regresso de Mad Men, estão muito bem enganados. Espreitem aqui o site oficial que nos dá de mão beijada 10 formas de preparar o come back da série e ainda se oferece para planear uma festa especial com os nossos amigos para que possamos todos assistir em conjunto e em clima de festa ao regresso de Mad Men.  


séries
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Salazarento raising

Quinta-feira, 22 de Março de 2012 by ocondutor | 1 comentários
o bolorento está com ganas... | imagem: wallpaper vortex

Venha de lá esse Salazar "amigo" que parece que há quem dele sinta saudades. Ele que venha saído da cova para, naquela voz de quem levou um pontapé nos túbaros ou nunca os teve, vir escorrer discursos inflamados sobre a pátria e o império. Ele que venha vender ao povo, mais uma vez, a grandeza gigante da nação e da sua gente valente que sobrevive apenas daquela panela ao lume com uma boa dose de farinha e duas couves apanhadas no quintal; que não se importa de remendar a fatiota puída de tanto uso; que trabalhará com afinco nada conquistando, mas conservará o sorriso; que voltará às grande romarias das procissões, dos peditórios e dos piqueniques de broa e vinho animados pelos ranchos-folclóricos: pobretes, mas alegretes.

Venha de lá esse bolorento país em que o povo bate palmas sem saber bem a quê (talvez para aquecer porque a roupa não chega para vencer o frio). Venha de lá essa cegueira e seguidismo do "cá se vai andando", "que remédio", "é a vida"... Venha de lá o velho expediente.

Vem isto a propósito das notícias recentes (esta do jornal Público é uma delas) que prometem o nascimento - regresso diria eu - da marca salazarenta. Confesso que não me choca que a terra natal do senhor use isso como chamariz turístico para as pessoas verem a realidade que fecundou e gerou o infinitamente pequeno "grande ditador", mas daí a inventar produtos com o seu nome... Só se for vinho amargo - carrascão, mesmo - ou enchidos de pão duro e bolorento, mas sem carne.

Certamente que esta gente só pode estar contagiados pela crescente febre zombie e vampiresca que põe tudo e todos a idolatrar a hipótese de fuga ao mundo dos mortos.


política, vida
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Cada vez mais...

Segunda-feira, 19 de Março de 2012 by ocondutor | 0 comentários
imagem: de colheita própria

A cada dia que passa... 
De cada vez que me vejo... 
Sempre que reparo em mim impresso no espelho...

...me vejo mais parecido com o meu pai. 


É o rosto que assume as formas já conhecidas. São as rugas que se gravam - ora mais profundas, ora mais à flor da pele - seguindo um padrão que me habituei a admirar com o passar dos anos. É o nariz imperfeito, com personalidade... Mas são, sobretudo, as mãos. 

As mãos que, à parte dos calos e das marcas do trabalho pesado de anos, são iguais. Quando digo iguais, não quero dizer idênticas... quero dizer iguaizinhas, decalcadas, fundidas seguindo o mesmo molde... cada dobra entre falanges, falanginhas e falangetas não deixa margem para dúvida. E, sabe bem. Contudo, não são, as minhas, tão ásperas e rugosas. Não exibem, as minhas, as marcas das muitas vezes que incharam e se abriram pela força do trabalho. E não o sendo, as minhas, é pela dádiva desse pai que se agarrou, com o dobro das forças, à labuta diária para dar espaço e oportunidade a que, as minhas, fossem chamadas a ganhar a vida com gestos menos esforçados. 

Ser-se filho é ser-se injusto. Ser-se pai é ser-se injustiçado. É assim: crescemos, saímos, mudamos, deixamos de ser deles e não mais podemos "compensar" o tanto que foram para nós. Será, talvez, igual comigo. E assim sendo, o equilíbrio do cosmos, garantidamente, manter-se-á constante e intacto. E tudo correrá bem.

vida
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A volta ao mundo de caderno e canetas na mão, a desenhar

Quinta-feira, 15 de Março de 2012 by ocondutor | 0 comentários
é aqui que agora o vão encontrar | imagem: http://www.worldsketchingtour.com

Luís Simões ou Simonetti para os amigos, no momento exato em que estão a ler estas palavras, já muito provavelmente partiu em direção aos 5 continentes para dar a volta ao mundo. Não serão 80 dias, mas 5 anos de mochila às costas, máquina fotográfica, portátil e - agora é que vem o mais importante - cadernos, canetas, aguarelas e pincéis.

Parte, aos 32 anos, para desenhar o mundo e dar largas àquela que se tornou, nos últimos anos, a sua grande paixão: o urban sketching. Para trás fica o trabalho como motion designer na SIC, a vida segura e o conforto da família e dos amigos.

"A vida é boa demais para ficarmos sempre no mesmo sítio" - é a frase que mais lhe pedem para repetir, à laia de resumo daquele que se tornou projeto de vida.

Esta não é uma viagem qualquer, não senhor. A ideia é avançar lentamente, deixar espaço para o inesperado, fundir-se com os sítios, as pessoas e passar horas a imprimir no papel, através dos gestos precisos da mão, aquilo que os olhos vão registando. Nós, comodamente instalados em frente ao computador, vamos poder seguir com ele e acompanhar tudo a par e passo.
publicado originalmente na Le Cool Lisboa
aqui podem ler a entrevista que, amavelmente, me deu
o vídeo que se segue faz parte da promoção da coisa, deixem-se contagiar


arte, net
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Evo Morales is the man

by ocondutor | 0 comentários

give's one Mr. Morales | imagem: The Telegraph, obviamente manipulada por mim

A notícia não é nova, primeiro porque já tem uns dias, segundo porque este senhor está sempre a falar no mesmo. Pelo mesmo, entenda-se a campanha contra a retirada das folhas de coca da lista de produtos vulgarmente designados por droga. O empenho é tanto que já se deu ao luxo de mastigar uma folhinha, igual às que ali segura na mão, em frente aos delegados da ONU durante uma cimeira em 2009.

Evo Morales é um tipo do caraças. E nem pensem que vou aqui dizer que está sempre à coca de oportunidades ou que aqueles olhinhos meio nublados não enganam ninguém. Este homem é um senhor. Assumidamente de esquerda, embora seja destro como facilmente percebemos em cima, começou a vida a cultivar plantas de coca, chegou a líder sindical dos cocoleros (pessoas que cultivam coca) e é o primeiro presidente da Bolívia oriundo de uma tribo indigena: os uru-aimará. 

É, por isso, injusto que só se fale dele por causa das folhas. De coca, bem entendido. E já que falamos nisso, convém dizer que a produção de folhas de coca é uma das maiores industrias do seu país e o seu cultivo é uma tradição milenar que chega ao tempo dos Incas. São uma maravilha para fazer chá; chá que faz desaparecer a fome e os problemas relacionados com a altitude (perguntem aos tipos da escalada). Parece também que na Holanda - não comecem já, que não é nada disso - se vendem marmelada, refrescos e até um licor feitos a partir de folhas de coca.

Com tanta coisa boa - obrigado Sr. Morales por ser a luz no meu caminho -, confesso que me escapa ao entendimento, como é que há gente espalhada pelo mundo disposta a gastar rios de dinheiro para, ao invés de mascar as ditas folhas, as enfiar processadas e desfeitas em pó narina adentro [que ingénuo que eu sou].

bizarrices
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Women in the world, unite

Quinta-feira, 8 de Março de 2012 by ocondutor | 1 comentários
“Rosie the Riveter” (Geraldine Doyle) a mostrar como é... | imagem:  daqui

Esqueçam aquela treta da queima de sutiãs, isso é coisa de lendas e activistas hippies dos 60's. Na verdade, nunca acontecer. Aquilo que uniu mesmo, mas mesmo as mulheres - não, não foi a primeira vez que houve saldos - foi o trabalho (os dois grandes conflitos mundiais mostraram que esse também podia ser o mundo delas). Reza a história que foram as russas, as primeiras a ter pelo na venta para reclamar mais e melhor nos idos de 1917. Adivinhem lá em que dia? Bingo!

Desde aí foi um vê-se-te-avias e um nunca mais parar de mulheres a agitar bandeiras, a desejar liberdade e independência, a pedir igualdade e direitos, sobretudo direitos. Os homens que mandam - os da ONU, claro - decretaram 1975 como Ano Internacional da Mulher e, em Dezembro de 1977, resolveram dedicar-lhes um dia todos os anos: o Dia Internacional da Mulher.

É graças a isto que é hoje - homens não esqueçam, hoje - que deverão estimar as vossas, oferecer-lhes uma rosa vermelha e uma enxurrada de mimos. 

Do outro lado - mulher não esqueçam -, é hoje que deverão aceitar rosas, mimos e tudo o mais que vos ofereçam em sinal de igualdade e respeito. O resto do ano? Bem, isso deixem para o resto do ano.

p.s. A imagem acima tem uma grande história, descubram-na aqui e aqui.


vida
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O jornal Público faz anos, está diferente e é de borla

Segunda-feira, 5 de Março de 2012 by ocondutor | 0 comentários

Já vem tarde a novidade, sobretudo para quem - como eu - andou à procura da edição em papel para ser dos primeiros a contactar com a nova cara. O facto de estar a ser oferecido aos leitores mais assíduos e aos outros motivou que voassem como folhas secas ao vento. Se a coisa significar mais leitores, ainda bem.

Há, no entanto, uma esperança para quem - como eu - não conseguiu deitar a mão à versão impressa. O Público disponibilizou para download gratuito a versão pdf do jornal em papel que podem descarregar aqui. Vale bem a pena o artigo em cima e as páginas que aprofundam o assunto que faz manchete do jornal que, por nesta edição de aniversário ter sido dirigida pelo filósofo José Gil, lança várias questões sobre este país onde vivemos. Para quem estiver apenas focado na mudança, recomenda-se o Editorial e as coluna de Miguel Esteves Cardoso e Rui Tavares.

Comprar jornais todos os dias é algo de que tenho saudades. Já não o faço porque a eles tenho acesso todos os dias como tarefa rotineira do meu dia-a-dia de trabalho, mas, sempre que a edição de um jornal em particular promete, apresso-me a correr às bancas só para ter o prazer de a coleccionar. Aliás, de cada vez que penso no assunto, dá-me vontade de os comprar todos. Devia ser uma honra contribuir para nos manterem bem informados.

one more thing: A redacção abriu-se e partilha connosco as novidades e as angustias de recomeçar um jornal e logo de uma forma mais intimista. É bem, espreitem.

jornais
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Sábado de manhã...

Sábado, 3 de Março de 2012 by ocondutor | 0 comentários

este tipo não sou eu | imagem: daqui
Assim de repente, sou gajo para me lembrar dumas quantas músicas sobre Sábado à noite. Assim de repente, não me consigo lembrar de nenhuma sobre Sábado de manhã, ou Sábado ao início da tarde. Haverá muito boas razões para isso, à parte da ressaca da saída de sexta-feira à noite (outra febre que já alguém descrevia em música, aquela coisa do Boss AC não conta); à parte das vezes em que é necessário pôr em dia as horas de sono que ficaram esquecidas durante a semana.

É a loiça acumulada, na melhor das hipóteses só do dia anterior, e que é preciso lavar. É o WC que já pedia o mesmo, mas - porra - fica prá semana que vem. É a roupa que tem de se apanhar do chão, das cadeiras, do sofá, até de cima da mesa... As meias que se têm de virar no sentido oposto ao do avesso porque assim ficaram largadas no canto do quarto desde que saíram, mal cheirosas, do pés. As cuecas que fazem companhia às meias e não deviam porque é feio... E se alguém aparece, meu Deus...? E aquela montanha de roupa que bem que podias passar a ferro... Enfim, uma canseira, uma trabalheira.

E depois é o carro que precisava de ser lavado e, já agora, visto pelo senhor mecânico porque aquilo não anda bem e parece que qualquer dia cai no chão sem rodas... Até que me apetecia ir dar uma volta, beber um café, ficar sentado ao sol, mas o gajo escondeu-se... E depois também podia ir ao cinema porque ando a dever uns filmes a mim mesmo. Não, vou mas é organizar as ideias que tenho ali alinhadas no caderninho e depois vou comer qualquer coisa na rua e, quem sabe, não volto e emendo numa saída à noite...

Irra! Por estas e por outras é que ainda nem saí de baixo dos lençois.

bizarrices, vida
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Que Deus Nosso Senhor nunca vos desfaça a canela

Sexta-feira, 2 de Março de 2012 by ocondutor | 0 comentários
no meu caso foi de barriga para baixo | imagem: tirada daqui Happenchange

É ainda com vincado esgar de dor, bem patente na forma pronunciada com que franzo o olho esquerdo e contraio a metade do rosto que lhe corresponde, que me dirijo aos meus amigos. É que ninguém merece começar o dia de forma tão espectacular como eu. Quer dizer, espectacular é capaz de não ser bem a palavra. Fiquemo-nos pelo admirável. Mas, pensando bem, admirável é também capaz de ser um exagero. Honestamente? Foi ridículo. 

Digamos que ali entre as 8h30 e as 8h45 deste santo dia de sexta-feira, os vizinhos de baixo testemunharam o que pensaram ser a reedição do grande terramoto de 1775. Saindo à rua, de pés de pato e escafandro, esperaram a onda devastadora. Rapidamente perceberam que era falso alarme. Enquanto isso, no andar de cima, só aos poucos um cérebro recuperava lentamente a consciência. Juro que foi mesmo assim e que o cérebro era o meu.

Sob juramento testemunho que, ainda antes da queda que provocou o susto da vizinhança, fui conduzido a um estado idêntico ao vivido durante as oito horas que permaneci debaixo dos cobertores. A coisa foi de tal ordem que tenho passado o dia a recuar e avançar na memória tentando recriar a situação. Sei que tropecei no degrau da escada que dá acesso à cozinha e sei que não me foi possível impedir que os meus cerca de 70 quilogramas embatessem no chão. Não ouvi o estrondo. Os meus olhos não registaram a aproximação ao chão. Não senti dor. Só depois, naquilo que tenho consciência ter durado apenas uns micro-segundos e constituiu uma ruptura no espaço/tempo terreno, fui recuperando a presença física e percebendo que estava deitado de barriga no chão e, assim como quem sobe o volume do som, a dor foi chegando. Um formigueiro que vinha lá de baixo, uma dorzita que subia da perna esquerda, uma guinada que vinha da canela. Confirma-se, lá se foi uma fatia da fina pele que cobre a Tíbia (finíssimos nobre, roam-se de inveja). 

É por isso que, sendo eu um ser imbuído só de sentimentos positivos, desejo que nunca rebentem com um pedacinho da canela. A dor vem e não desaparece... Está cá, querem sentir? Sim, nós homens somos uns queixinhas, mas não é o caso. Quase podia jurar que é o osso a fazer-se ouvir e está a chamar-me nomes. Todos os nomes (sim, ao contrário do cérebro que a comanda, a minha tíbia já começou a ler Saramago, mas ainda só vai no Levantados do Chão... o que não deixa de ser irónico).

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