As criticas negativas a Slumdog Millionaire têm dado que falar nos últimos dias, a ponto de levar pessoas bem respeitáveis a questionarem os excessos de linguagem e até excessos de cultura cinematográfica usados contra o filme.
Os primeiros ecos da conversa que estava a decorrer chegaram-me através de Nuno Markl que questionava esta crítica em particular e digamos que o fez de uma forma bem elegante. A leitura dos comentários deixados por outros leitores do blogue deste guia espiritual permite perceber a ira a crescer nos corações de muitos. O comentário do autor do blogue tok nu tako deu-me a pista para uma mais densa reflexão protagonizada por João Lopes, também ele critico de cinema mas no DN e SIC Notícias, no blogue que mantém com Nuno Galopim, o sound + vision. A dissertação é longa, está dividida em 5 partes, e exibe e responde às criticas de alguns leitores sobre o assunto. Mas foi esta última resposta, dada pelo Bruno Nogueira ao texto que o cinecartaz do Público exibe com a respectiva imagem bem sugestiva que me fez entrar nesta corrida.
Nogueira confesso que senti exactamente o mesmo que tu quando li as palavras do Luís Miguel Oliveira no Público. Também acho que quem vê um filme como Slumdog Millionaire e a única imagem que lhe fica na cabeça é a que usa para ilustrar o texto, e a prova é que o termina fazendo alusão a ela, é porque não viu o mesmo filme que toda a gente ou tem, enfim... problemas. Também vi o The Darjeeling Limited do Wes Anderson, que é um maravilhoso filme, mas nunca me lembraria de os comparar. Ok, ambos se passam na Índia, ambos têm comboios, ambos mostram gente pobre da Índia, mas à parte disso não estou a ver... Wes Andersson mostra-nos "turistas" que vão à Índia para se encontrarem a si próprios e Danny Boyle tem de nos explicar o contexto em que cresceu Jamal Malik, um misero operador de Call Center de Mumbai, para percebermos o grande milagre que recebe ao resgatar o amor da sua vida e de, o pouco que sabe, ser o suficiente para fazer corar os egos de quem pensa que sabe tudo sobre as ambições de quem parece querer ser milionário. E por muitos filmes belíssimos, que eu não vi confesso, que me atirem para justificar que se trata duma visão de mau gosto não a consigo identificar, nem me parece que a conseguisse identificar se fosse ver o filme outra vez e já condicionado pela ideia.
Quanto à conversa de que na cabeça de Danny Boyle é tudo um grande Trainspotting, primeiro lamento que não se goste da banda sonora, eu adorei; segundo diz-se por aí que todos os realizadores têm um estilo e o de Boyle é este; terceiro Trainspotting é para mim um filme de referência e, como tal, até agradeço a comparação. Mas agora percebo será que a comparação com Trainspotting está mais uma vez fixada na viagem pelo mundo das sanitas e pelo episódio do lençol? Ai essa cabeça, sempre fixa em pormenores... Onde anda Freud quando precisamos dele?
Já sei que não podemos ter todos as mesmas opiniões e que me lembre nunca foi muito pacífica a relação entre críticos e publico de cinema. Mas usar uma conclusão de m**** e criticar o nariz do realizador é estar a pedi-las.



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